o vento leva
pólen e poeira,
manhã levita.
o lance do pincel é a certeza
feito lingua afiada
doa a quem doer
pinta um clima
quem sabe a gente
arte juntos, ou é só
troca de olhares
fim de tarde e
copacabana
eu desenho com traços tortos
tremidos
não me falta firmeza nas mãos,
não me falta
precisão
eu nunca vi na vida inteira
um amor
em linha reta.
cartesiano ou cansado.
tudo dilata,
eu
sorrio.
é manhã e eu quis te dizer que faz sol aqui.
enquanto eu carrego documentos
papéis
visto e passaporte
e com sorte
tudo vai ser só
cansaço no passado, o despedaço de um passado
que eu deixei pra trás no bolso de uma espera
vibrante, desajeitada e que nunca aprendeu a ler as horas no ponteiro analógico.
é que quando eu mandei aquela carta eu já sabia:
nunca dezembro nenhum seria,
nunca mais,
tardes sozinhas que caem pela janela afora
e qualquer música de saudade
que tocasse minha pele pra lembrar
a casa vazia.
tenho errado a mão de propósito em qualquer receita.
acho que a preparação exagerada é um prenúncio;
ou essa vontade exgerada
me confunde.
sal pra dois,
pra dois, uma travessa de pão
pra mais. não faz mal.
quer seja por distração ou encantamento
erro receitas, nem tudo está perdido,
acerto previsões
de signo ou de tarot.
não se engane, esta é uma mensagem direta.
uma enciclopédia musical que eu escrevi pra você,
hoje é ainda quarta-feira.
é qualquer quarta que eu ando do seu lado
rente à calçada com medo de atropelos
e a sensação de pular de paraquedas que sua mão reboca do meu peito afora
agora
eu não saberia dizer por quantas bancas passamos
pero no queda la sensacion de calor
o dia passando
é só pra te dizer que faz sol aqui,
pode ser rotação do planeta,
mas parece sorte.
esse olhar pra tudo como se eu nunca mais fosse passar por aqui,
me salvou.
por suposto
nunca mais estive
em outro canto
senão
em mim.
esse cheiro
no ar quando ela
me olha
com os pés na areia
feito
qualquer feito incrível
tem cheiro
quase
qualquer chá de búzio
ou de milagre.
desato o nó
e o que sobra
no fio de minha barba
o cheiro de cigarro
beirando desespero
passa.
a roupa amarrotada,
passo.
abraço o acaso
não quero
cessa,
amaciante com cheiro de lavanda.
qualquer estrada
tem mais verdade
que uma ciranda.
fica,
eu passo bem
e vou além
da agonia
vai,
que a cegueira
desassossegue
em lucidez.
amena
a madrugada se veste de frio
pra doer meus ossos.
eu ainda nem dormi;
essa vigília da escuridão
sem perigos
é preciso estar atento
e sorte
olhar pra dentro
e forte
acender o sol
ou qualquer incenso
oriental
ferver água feito quem tem fé
e sabe esperar
a hora do chá,
de lavar a ferida.
toda água que borbulha
tem um pouco de alento
calor
e despedida.
Exú corre no rio E atravessa o tempo Não tem pegada ou encruzilhada Exú corre no rio Tempo avesso e através.