meu quarto faz dias, e faz dias em mim que eu espero passar o mal estar, ele faz dias, conta minutos dentro de mim, brinca de relógio e me deixa cedendo areias por dentro, querendo, fazendo segundos, faz dias que estou estando, fazendo sentidos segundos passarem, nunca mais darei corda no relógio, nunca mais.
tua memória tranca segredos, carrega os castiçais iluminadores dos salões de dança que decoram seu olhar perdido, sinto saudade de seus passos, instabilidade de humor, unhas sem pintar. te vejo de longe lavando pias de pratos sujos onde se escondem vergonhas e a vontade sua de ser de novo graciosa, de força bruta, potência motora, move mundos e tamanhos. teus olhos azuis ainda me fitam, eu queria mesmo que nunca esquecesse que te amo, vó; minha barba, minha pele riscada, meus olhos castanhos; eu aindasempre te amo.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Mãe maior II
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Intangível
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